Novembro 12, 2008

casados de fresco



é num dia muito especial
que comunico com entusiasmo, o casamento
da criarte com os representantes da Moleskine em Portugal,
a livraria Arquivo.

é sempre um desafio ver partir um filho,
mas sem qualquer dúvida, uma libertação saudável,
a quem quer continuar a espalhar a nossa língua no Mundo.

Agosto 15, 2008

futuro


a criarte pede desculpa pelo silêncio.
novidades com a palavra futuro.

Novembro 08, 2007

criarte a preço muito especial


porque queremos chegar a todos este Natal,
ofereça as segundas peles da criarte
a preço muito especial.
a promoção inclui os autores Ruy Belo, Al Berto, José Tolentino Mendonça, Agostinho da Silva, Luís de Camões, Padre António Vieira e Damião de Gois (não inclui Alberto Caeiro).

Manga Curta antes €29 - AGORA €18,90
Manga Comprida antes €46 - AGORA €24,90

se fizer as encomendas on-line gozará ainda de um preço de pacote.

criarte em Barcelona

Junho 27, 2007

Lisboa abençoada


o primeiro número da Time Out Lisboa sai em Setembro
e passadas algumas semanas
estreia-se também a Time Out Barcelona.
afinal mais alguém acredita no meu sonho edílico
de Lisboa se vir a tornar a nova pequena Barcelona da Europa.

Junho 24, 2007

fado eléctrico


e se for surpreendido com um fado
enquanto se passeia no eléctrico 28?
até 1 de Julho, de 5ªa domingo.
das 16h às 18h e das 19h às 21h

Junho 13, 2007

Lisboa Insonsa


Não será por uma Câmara em auto gestão, mas achei de um extremo mau gosto abrir as marchas de Lisboa com a brasileira Daniela Mercury a dizer que vem "salgar" Portugal.
Até admiro a alegria da irmã de língua, ou a abertura cultural mas não a abrir o desfile. Pior ficou quando canta "o canto desta cidade é meu". Como cereja de fim do bolo tivémos ainda a insensatez de por a dançar um grupo de "nuestros hermanos". Só ficou a "faltale" o dragão chinês.
Já dizia o Pessoa que o melhor do mundo são as crianças e conseguimos ser salvos por elas quando abriram finalmente o desfil lusitano.
Parabéns a Alfama, mas brio de sangue procura-se.

Maio 31, 2007

le cool


"le entrevista" aqui.

Maio 27, 2007

luz fogo


Lisboa volta a prometer.
o Verão está aberto.

Março 06, 2007

oferecemos


o presente,
a presença

e a excelência humana.

Fevereiro 13, 2007

ausência

a criarte pede desculpa pela ausência.

a partir de amanhã novas energias.
a todos os viajantes de mente,
um enorme obrigada.

Setembro 13, 2006

constelações


somos assim

em constante mutação.

inter


debaixo de água

ainda hoje
visto-me
de verde.

Setembro 09, 2006

pela ausência

a criarte
pede desculpa pela ausência.

após mudança de sede
prometemos aparecer com mais frequência.

a todos os amantes da criarte
e a todos os viajantes de mente,

um enorme obrigada.

Junho 29, 2006

concepção


enquanto entendo
a realidade
dos dias

concebes
o que tens
de mais precioso.

dizias tu do divino?

Junho 27, 2006

elevamo-nos sempre mais


elevamo-nos sempre mais
nos dias em que com luz de cima
damos
o outro lado da face.

nesses dias helénicos
nem suspeitava
dessa beleza chamada
futuro.

Junho 19, 2006

luz na praia


as noites
trasformam
o banho das raízes.

um lugar
onde quedas
são acolhidas
como pedras
de formas
sempre preciosas.

Junho 13, 2006

abandono


dirijo-me
ao mais indivisível
dos silêncios.

performance


na noite
em que me trouxeste
despiam-se na rua
os jacarandás.

a próxima paragem


à mesa do café
moldamos de branco
um percurso
mais ousado.

Junho 09, 2006

devagar


da energia das árvores

recolho devagar
o chão de Lisboa.

das tuas mãos


no toque
das tuas mãos
alimentas ainda
a alma
de quem te alcança.

Junho 02, 2006

o telegrama


no teu longo abraço
salvas-me sempre
da magia
mais aquática.

a mais pura


na noite
em que tocava
o fogo,
resgatavas-me
para a mais pura
das belezas.

o primeiro

Maio 30, 2006

do Santo Espírito


o feminismo está a passar por aqui,
nas escadinhas do Santo Espírito.

Maio 29, 2006

os bichos


enquanto
te segredava o dia
e alguns
dos meus maiores segredos,
a vida ensinava
à distância
o seu fiel destino.

Maio 26, 2006

anil azul


disseram-me hoje
que a criarte pintava pessoas.

aqui partilho
uma descoberta por Lisboa
surpreendente pelo anil azul.

Maio 25, 2006

na Marcos Portugal


encontrei
uma grande nódoa
no bairro do Príncipe Real.

caíram os panos


caíram os panos
na Rua do Carmo.

Maio 24, 2006

na Rua Nova do Almada


por breves instantes
questionei-me,
onde estaria coração
deste calceteiro de Lisboa.

Abril 29, 2006

1755


1755
ou o grande terramoto
em teatro,
com vida
neste lugar
onde habita
a minha identidade.

Abril 07, 2006

Munique


em Munique
foram felizes os rostos
que me cruzaram o olhar

a trasnformação


se o grão de trigo,
lançado à terra,
não morrer, fica ele só,
mas, se morrer,
dá muito fruto.

Abril 03, 2006

auto retrato


hoje a vida recebe-me assim.
suave e sem medo.

Março 20, 2006

onde não cheguei a tempo


onde não cheguei a tempo
resolvi sentir o mar

a energia
num reflexo
de quem te descobre.

Fevereiro 08, 2006

Lisboa


hoje
toquei em Lisboa
com a ponta dos dedos.

Janeiro 19, 2006

dia de reis


quando os reis partiram

retiraram-se as luzes,
como o último
dos grandes tesouros.

imagem tirada em Parnassos

dois mil e seis


com a minha e a tua mão
acendo a luz

de dois mil e seis.

esmaga toda a praça


modernizaram os CTT da Praça do Camões
e Lisboa ficou mais feia.

agora,
um enorme néon
esmaga toda a praça
quando a noite cai.

quem se atreve
a aprovar uma renovação
que ofende o bairro do Chiado?

Dezembro 19, 2005

a todos os viajantes


a criarte deseja a todos os viajantes
um bom Natal e um Ano Novo cheio de energia
para continuar Portugal.

coisas gloriosas se têm dito de ti
árvore mais verde de quantas há não há na vida
praia prometida no fundo dos mais belos
dos menos intencionais
dos mais inexplorados olhos

E só para ti Senhor não haver
lugar na cidade nem mãos com que te ungir
Servissem-te ao menos dias meus dias de espaço
não tenho nada já para morrer
abrir-te os braços
é tudo o que faço.

Ruy Belo, in Imóvel Viagem

Novembro 29, 2005

vida literária


Fotografia de Mário Cesariny: © Susana Paiva

ao poeta Mário Cesariny foi atribuído
O Prémio Vida Literária Associação Portuguesa de Escritores/Caixa Geral de Depósitos.

comunicado pela direcção da Associação: «Mário Cesariny é, na singularidade extrema da sua estética, um poeta raro. Celebrá-lo, por quanto doou à nossa comunidade de leitores através de gerações, assume, assim, a plenitude de uma homenagem livre e devida».

obras de Mário Cesariny editadas pela Assírio & Alvim:
Primavera Autónoma das Estradas
Manual de Prestidigitação
Pena Capital
Vieira da Silva, Arpad Szenes ou o Castelo Surrealista
As Mãos na Água a Cabeça no Mar
A Cidade Queimada
O Virgem Negra
Antologia do Cadáver Esquisito
Nobilíssima Visão
Titânia
A Intervenção Surrealista

dia 30 o poeta receberá também a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Novembro 24, 2005

Arte Lisboa


inaugura hoje a Arte Lisboa,
a melhor feira de arte contemporânea portuguesa.

na vontade
da minha presença impossível
a partilha.

“Sem fuga possível”
óleo s.tela, A. Trindade , 2005

Novembro 22, 2005

Madredeus no Lycabettus


absolutamente.
os Madredeus em Atenas.

no alto da montanha
espalhou-se assim
o som de Portugal.

nós é que agradecemos

Novembro 14, 2005

em busca


um dia
quando partires
em busca da tua grande viagem

que fique para sempre,

em busca II


a grandiosidade das fundações
que tentas
ainda construir.

Setembro 23, 2005

o tanto


nos dias em que contemplo o mar "kármico",
as pequenas ondas
trazem-me sempre tantos cúmplices.

memórias com quem gostaria de partilhar
o tanto positivo desta terra.

Setembro 04, 2005

na Grécia, um encontro lusitano


no mundo
há pessoas e pessoas,
mas esta é única e inconfundível.

Agosto 22, 2005

Luís de Camões


num momento
em que somos chamados a ser
ainda mais Portugueses,
a criarte convida todos os viajantes

a erguerem o seu próprio estandarte
pelas ruas da cidade.

da Europa toda, o Reino Lusitano,
onde a terra se acaba
e o mar começa.

também em modelo unisexo/homem

Agosto 19, 2005

da Holanda para a Grécia



a partir de 25 de Agosto de 2005, passaremos a estar estabelecidos na Grécia, abandonando a sede na Holanda.
Para qualquer assunto poderá contactar-nos por e-mail ou para o telemóvel português 914 500 005. Posteriormente será anunciado novo telemóvel helénico.

Acreditamos que o desafio de estar fisicamente mais longe do Reino Lusitano, seja motivo de mais empenho e orgulho de sermos um projecto de Portugal.

Julho 15, 2005

as férias de um bloque


o blogue da criarte
foi refrescar ideias

até 8 de Agosto.

Julho 14, 2005

o desfoque do Ballet Gulbenkian


"será civilização,
cosmopolitanismo, modernidade,
destruir o grande agrupamento de dança moderna de um país,
sobretudo de um país como o nosso,
tão faminto de referências
e de uma vida cultural activa e regular?"

assine a petição .

aprendamos


Paris.
café de la paix.

aprendamos
e desistemos das manteigas em pacotes de plástico.

Julho 13, 2005

incapacidade humana


Berlin.
no memorial dos Judeus,
inaugurado esta Primavera.

o silêncio
ou o poder de uma incapacidade humana.

Julho 05, 2005

esplanar


uma esplanada em Atenas.

num país orgulhoso de si próprio
humano, divertido caloroso
e com um estilo de vida sofisticado, para quem conhece.

aqui deixo a proposta à Câmara de Lisboa
de proibir as esplanadas da "Coca-Cola" e do "Ice Tea"
e de criar normas para as esplanadas de Portugal.

os turistas merecem e os portugueses também.

Julho 04, 2005

o perfeito urbanismo


Mikonos.
parabéns pelo turismo de qualidade.

não se vê um alumínio,
uma esplanada de plástico ou um néon.

o urbanismo é perfeito.
o verdadeiro paraíso.

Junho 30, 2005

a sobrevivência da casa de Garrett


Há meses foi lançada a primeira pedra, com a criação de uma petição para salvar a casa onde viveu nos últimos anos de vida Almeida Garrett.

Em conjunto com o Fórum Cidadania Lisboa, (o qual está de parabéns pelo enorme esforço e empenho aplicado), foram arregaçadas as mangas e posta mão na obra que o Ministro da Economia queria para esta bonita casa da Saraiva de Carvalho: um apartamento T3, dois T4 e um duplex.

Fico perplexa pela quantidade de tinta e ministérios que foram corridos, quando em Praga todas as casas onde Kafka respirou são preservadas como ponto de atracção turística, e em Viena todas as casas dos compositores seguem o mesmo caminho de importância cultural.

Será muito difícil entender que o futuro do nosso país pode passar por turismo de qualidade e que todas estas jóias são dádivas culturais que enriquecem Portugal?

Que o nosso pedaço de terra à beira mar plantado, pode além de um país dos oceanos, também ser visto como um país profundo do Sul, denso e com alma, onde a literatura pode marcar um lugar de charme para a Europa e para Mundo? A casa só por si é linda e nunca deveria ser destruída.

Mas hoje uma excelente notícia, que me deixou contente e esperançada. Depois de ter sido parada a demolição, surge hoje a proposta da permuta, tal como aconteceu com o lindíssimo cinema Paris,o qual ainda aguarda projecto.

a todos os que assinaram a petição e amam Lisboa, obrigada.

Junho 28, 2005

sonha-se assim


sonha-se assim

a eternidade
de um momento

imagem tirada em Bojnice na Eslováquia

Junho 22, 2005

Eugénio de Andrade urgentemente


É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade (1923 - 2005)

Junho 09, 2005

le cool magazine


"A le cool magazine é uma revista semanal gratuita,
que apresenta uma selecção de exposições, concertos,
d.j. sets, exibições de filmes antigos, peças de teatro
e uma série de outros eventos culturais e de entretenimento.

A le cool é também um guia de lojas, restaurantes, bares
e outros locais de ócio, sem serem necessariamente trendy,
apenas com qualidade e que valham realmente a pena."

obrigatório subscrever.

Junho 08, 2005

o orgulho da nossa língua


questiono-me
porque é que o novo treinador do clube das águias,
o holandês Ronald Koeman
vem para Portugal dar entrevistas em espanhol.

deixo aqui a sugestão
de lhe colocarem as perguntas em alemão.

tenho a certeza
que vai perceber o recado.

Junho 07, 2005

wolrd press photo


de uma aflição imediata
a exposição da organização holandesa wolrd press photo
que estará patente em Lisboa de 1 a 23 de Outubro de 2005.

o estado do mundo
e a certeza
que alguns dos nossos problemas
serão sempre relativos.

imagem World Press Photo of the Year 2004, Arko Datta India, Reuters

Junho 01, 2005

as paredes


por hoje
sorriram os trinta graus
em terras frias da Holanda

por breves instantes
observei

as paredes

onde habita o lugar
a que chamo de casa.

Maio 23, 2005

criarte na Assírio


a criarte marca a partir de agora
ponto de encontro nas três lojas da Assírio:
Lisboa Rua Passos Manuel, 67-B, 1150 - 258 Lisboa
Cinemas King Av. Frei Miguel Contreiras, 52-E, 1700 - 213 Lisboa
Porto
Rua Miguel Bombarda, 531, 4050 - 383 Porto

Maio 20, 2005

o pequeno paraíso


num dos meus percursos aos betonados subúrbios lisboetas,
em busca dessas fábricas que embelezam o papel,
voltei-me de costas

e encontrei este pequeno paraíso.
uma dádiva.

Maio 11, 2005

onde estão as árvores?


passei na António Augusto Aguiar e pergunto-me onde estão as árvores?

quem vai em direcção ao Marquês e ao chegar à Av. Fontes Pereira de Belo poderá observar que o painel central que estava em obras e que antes tinha árvores, agora exibe mais duas faixas para chegarmos mais depressa às filas do trânsito. pergunto-me onde estão as árvores e qual o sentido dessas novas faixas de rodagem?espero que não arranquem as outras que lá estão até ao Corte Inglês que são lindas, estrondosas e refrescam a cidade no Verão.

em apenas três anos habituei-me a viver sempre com verde à minha volta. em Amesterdão tudo se preserva, o verde inunda a cidade melhorando a qualidade de todos os cidadãos, os ricos e os pobres.

agora que me "deram" o melhor dos chocolates, sinto a diferença e sei que Lisboa pode ser muito melhor para todos os que lá passam e habitam.

viver o Jardim Botânico


o único candidato à Câmara de Lisboa que se anuncia em painéis nas ruas da cidade, admite definir um percurso “que se inicie no Jardim do Príncipe Real, desça pelo Jardim Botânico e entre na Avenida da Liberdade pelo Parque Mayer”, já que a cidade precisa de “aproveitar melhor o seu património ambiental”.

oiço há anos pela sabedoria de pais e avós que esta seria a melhor solução. nunca pensei que alguém a concretizasse e fico radiante de pensar que a minha queria Lisboa possa respirar num caminho de cor verde, onde o betão e o alumínio não têm lugar.

Maio 10, 2005

a importância dos interiores II


a 19 de Março fiquei feliz quando vi que iam recuperar a antiga Pompadour na Rua Garrett.

depois da "obra" feita devo confessar que estou desiludida e triste: os frescos do tecto e os balcões que faziam conjunto com as portas desapareceram; fizeram uns acabamentos a que os “senhores empreiteiros” costumam chamar de luxo, com mármores e focos encastrados na montra. surge assim um espaço comercial de confecções estrangeiras com decoração de mau gosto requintado.o “novo riquismo” e o “pastiche” mal feito apagam as memórias da perfumaria que ainda me lembro. estava decadente mas tinha muito potencial.

entristece-me ver que o alumínio (o verdadeiro e o figurado) falam sempre mais alto neste país, que podia ser um dos mais bonitos da Europa.

Maio 09, 2005

por areias do mar do Norte


"o caminho faz-se andando".

Abril 22, 2005

no dia mundial do livro


a criarte propõe

os mais recentes autores
que se apresentam desde 2005
acompanhados por um marcador de livros
com nota biográfica do autor e missão da criarte.

Ruy Belo


no teu amor por mim
há uma rua que começa

Al Berto


no dia que ceguei
decidi ser fotógrafo

Abril 18, 2005

pela não demolição

Abril 07, 2005

inundo a casa


em terra molhada
onde as senhoras ainda escondem a ponta dos dedos,
inundo a casa de freseas brancas
para não me esquecer desse tempo

a Primavera

Março 24, 2005

perdoar Helena


perdoar Helena de José Tolentino Mendonça

o mundo,
o nosso mundo,
quando se move parte em busca de quê?

no Teatro Taborda
a partir de hoje até 24 de Abril.

por Portugal

a respiração da cidade


hoje volto a publicar esta imagem.

o Presidente da Câmara de Lisboa vai levar avante
a decisão de Carmona Rodrigues
de reduzir o número de painéis publicitários
espalhados pela cidade,
incluindo os cerca de 130 "outdoors" da própria autarquia.

a ver se Lisboa fica mais bonita,
e sem estas barreiras
que ofuscam a respiração da cidade.

Março 22, 2005

dia vinte e dois


ama e não procurarás
pára para viver,
e cega se tudo queres ver

amar é descanso de busca

deixa de pensar e acredita
desprende-te de ti
e assim te encontrarás

amar é descanso de busca.

Anna Hatherly

Março 21, 2005

hoje


hoje
dia internacional da poesia

deixemo-nos surpreender
pelas ruas da cidade

um tiro no escuro


apenas
e para sempre

dentro de mim

Março 19, 2005

a importância dos interiores


a antiga Pompadour
em plena Rua Garret,
está a ser recuperada.

protege-se assim
a importância dos interiores.

das nossas cidades


aprender um ofício em vias de extinção.

estes emigrantes Timorenses
há vinte anos em Portugal,
investiram nesta arte
que faz das nossas cidades
as únicas na Europa
em que vale a pena olhar para o chão.

troca-se assim
cinco dedos de conversa.

mais um momento


mais um momento
verde água

Março 17, 2005

a eternidade


fica assim para que o
invejem — indiferente
mesmo que o chamem.

por não sei que privilégio,
os gatos conhecem
a eternidade.

Nuno Júdice in Zoologia: O Gato

Março 16, 2005

o meu desejo



no dia que fiquei cego
decidi ser fotógrafo.

o meu desejo para Portugal
com o testemunho de Al Berto.

no teu amor por mim



no teu amor por mim
há uma rua que começa.

o testemunho de amor de Ruy Belo
na colecção os viajantes.

com fotografia de Duarte Belo.

Março 14, 2005

José Agostinho Baptista


Glória de Sousa diz poemas de José Agostinho Baptista
Guilherme Rodrigues (violoncelo)

18 de Março de 2005 (6ª feira), às 22h 15m
Centro Galego de Lisboa
Rua Júlio de Andrade, 3, Lisboa
(junto ao Campo Mártires da Pátria)

Março 12, 2005

os trinta anos



a influência exercida sobre a nossa alma,
pelos diferentes lugares,
é uma coisa digna de observação.

se a melancolia nos conquista infalivelmente
quando estamos à beira das águas,
uma outra lei da nossa natureza impressionante
faz com que, nas montanhas,
os nossos sentimentos se purifiquem:
ali a paixão ganha em profundidade o que parece perder
em vivacidade.

Honoré de Balzac, in "A Mulher de Trinta Anos"

Março 10, 2005

conversas entre escritores


“… nenhuma verdadeira obra de arte é deprimente, pela simples razão de que, no fundo de todas as coisas, como quotidianamente aprendiam os náufragos da tragédia de Sarajevo, a verdade da arte é sempre a alegria de estarmos vivos”.

Assim falava Eduardo Prado Coelho, no seu “O Cálculo das Sombras”. E irá continuar a falar numa conversa de escritores na livraria mais conhecida do Bairro Alto, a Ler Devagar. À conversa junta-se Maria João Reynaud, autora de “Sentido Literal – Ensaios de Literatura portuguesa”.

hoje às 21H

Março 07, 2005

por dois lados


sim.
para sempre

a energia


a energia positiva alcança sempre
aquilo que julgamos quase impossível.

mergulho assim na palavra
"entusiasmo"

temo


o futuro silo
não pára de crescer.

temo
por Lisboa

sentir Lisboa


sentir Lisboa
no edifício central da CML, no Campo Grande,
entre as 08h e as 20h até 31 de Março.

Março 04, 2005

estradas brancas com alma Portuguesa


igual a sim mesmo,

na sua elegância sempre serena e contagiante,
José António Tenente apresentou ontem uma colecção
para inundar as estradas brancas de alma Portuguesa.

também para as ruas da nossa cidade
ou para ciclo-vias de Amesterdão,
fica aqui uma sugestão bem conseguida,
com boa energia karmica
e com certeza com muito empenho.

parabéns a este criador
que tanto tem feito
pela imagem de Portugal.

os corredores da cidade


olhos de gato,
será a medida da Carris para melhorar os corredores da cidade.

uma tentativa a um Sul mais bonito.

há gaivotas no Rossio


ainda não as vi,

mas são "gaivotas de asa escura, vindas das ilhas britânicas e do Norte da Europa para passar o Inverno em temperaturas mais amenas".Será que se fartaram das intermináveis obras do Terreiro do Paço? Terão simplesmente decidido dar nova vida às praças até aqui pejadas dos monótonos pombos? Outrora aves da beira-Tejo, as gaivotas lisboetas subiram à cidade e agora é vê-las planar junto ao Teatro D. Maria II.

as vozes roucas misturam-se com os sons da cidade, olha-se para cima e lá estão elas, figuras elegantes recortadas no céu, guardando os telhados do Rossio.

os teatros


os teatros
trazem segredos

e as paredes
alcançam-nos
como o último dos tesouros

Março 01, 2005

aqui as árvores


com telhados de betão,
deparo-me com uma enome parede

verde água.

também aqui as árvores
encontram o seu lugar.

por hoje


por hoje
esvaziei o armário

e ofereci os meus sonhos cor de rosa.

caiem os panos


caiem os panos
mais um espectáculo vai começar

em azul


ouve-se o som do mar
e a terra transforma-se em azul

por breves instantes


incomparável e para sempre
a alegria dos amigos do sul

por palavras de "ego descontrolado"
e sobre a tua lei do amor
toco por breves instantes
e com a ponta dos dedos

um casulo tão distante

Fevereiro 24, 2005

verde água


na plateia do 28
depois de descerem os panos
o espectador observa
a beleza de mais um edifício recuperado.

a cor,
verde água

a nossa pastelaria


oferece-se oportunidade de negócio

a quem quiser fabricar vitrines de jeito
para as nossas pastelarias

é só copiar este belo exemplar da Panificadora do Chiado,
na Rua do Sacramento

os nossos bolos merecem.

a estrada de luz


por um breve momento
olho para trás

mas o caminho que nos alonga

é subindo
a estrada de luz.

Fevereiro 21, 2005

de um amor


de um amor tão grande

guardo a firmeza
e procuro que o tempo seja breve.

de asa grande


cheguei pelo braço de Aquilino Ribeiro.

não imaginei que a próxima viagem

fosse agora
com a TUA asa.

Fevereiro 17, 2005

a um viajante do mundo



de ti Pedro
que descansas agora
na última das moradas,

guardamos o teu sorriso
sempre tão rasgado de infância.

tu sim
foste um viajante do Mundo.

Fevereiro 08, 2005

na outra margem


pudera eu
descoser-te assim as asas
que te amarram à margem

de um rio sem retorno.

à coragem de quem se encontra,
sobra sempre

o mais incerto dos silêncios

Fevereiro 01, 2005

escritas em corrente



dia 16 de Fevereiro outra obra irá abraçar "O Vento Assobiando nas Gruas", de Lídia Jorge, vencedora do prémio Correntes d'Escritas de 2003.

esperam-se mais de meia centena de escritores para este encontro de escritores de expressão Ibérica, na Póvoa do Varzim que terá a sua sexta edição entre 16 a 19 de Fevereiro.

Janeiro 26, 2005

os escritores da noite

Janeiro 24, 2005

o poder de um rasto em branco


haverá sempre momentos

que nos transformam
e nos fazem ter a desesperada certeza.

e do poder puro
do que permites esquecer
atrevo-me a guardar de novo.

descreve-se assim
a nossa eternidade

Janeiro 21, 2005

ao criador da inspiração


homenageio hoje Jorge Vale, fundador da Casa da Comida que faleceu na passada quarta-feira, e que tinha a grande qualidade de criar a sua cozinha sempre inspirada nas tradições portuguesas.
quem já tive o privilégio de receber fica a ter conhecimento que o livro da sua autoria Quatro Estações na Casa da Comida são a base de inspiração da curiosa criadora no acolhimento a viajantes.

Janeiro 20, 2005

um passeio triste



a ilusão dos centros comerciais que tanto têm destruído o comércio ao ar puro, entra inevitavelmente pela nossa vida sem nos apercebermos.

no tempo em que gostava de rebuçados, dei muitos passeios com a minha mãe no antigo Chiado. O Alfarrabista do meu pai era e ainda é na Rua do Alecrim e por isso as ruas do Chiado sempre foram a minha segunda casa.

lembro-me da beleza indescritível da perfumaria da Moda e dos milhares de frascos de cores diferentes.

lembro-me da montra Pastelaria Ferrari com bolachas de buraco no meio com doce de framboesa.

lembro-me dos vidrinhos com miçangas da Casa Batalha toda forrada a Madeira e que tanto me preenchiam os meus sonhos de menina princesa.

lembro-me da Loja de Brinquedos da Benard onde passei tantas tardes a brincar.

lembro-me do elegante e simpático Senhor do ainda vivo elevador do Ramiro Leão cheio de senhoras de ancas largas que compravam cremes a kilo.

lembro-me principalmente de ser tão agradável e tão único.

agradeço aos meus pais todas essas tardes possíveis e manhãs de sábado vivido nesse Chiado tão elegante e que guardo com tanto carinho nas minhas memórias de criança.

por isso atrevo-me a partilhar "um passeio triste pelas lusitanas catedrais do consumo" por Manuel Graça Dias

"Uma noite destas, analisando com algum detalhe um mapa turístico esquemático, de 1950 ou de 1960, de uma cidade das ex-colónias, pude ler, a dado momento, impresso a negro, em letras grossas: «Centro comercial». A designação atravessava uma parte da planta preenchida por ruas miúdas em quase quadrícula e reportava-se à noção genérica de zona comercial ou «baixa», como também eram chamadas estas áreas na época (com as Ruas 31 de Janeiro ou Stª Catarina, no Porto, a tornarem absurda a excessiva vulgarização da palavra).

Hoje, o conceito deslocou-se um bocado e é praticamente inconcebível falarmos em centro comercial sem pensarmos logo numa estrutura fechada, climatizada, artificialmente iluminada, cheia de lojas, músicas e desafios supostamente consumistas, tendo sobrado um nome entre o pobre e o semi-saudosista para essas outras zonas encravadas nas cidades históricas, agora já só sempre decadentes: «comércio tradicional».

Os grandes centros comerciais ou «shopping centers», como gostam de lhes chamar, para poderem existir, dada a sua enorme necessidade de espaço, instalam-se quase sempre nas periferias das cidades onde os terrenos serão mais baratos e os acessos viários «facilitados».

Dirigindo-se à classe média-baixa motorizada, acampam ao lado das grandes auto-estradas urbanas (onde o barulho talvez já seja ensurdecedor para a especulação continuar a apostar em habitação) e assediam as autarquias, que com enlevo os disputam, com a promessa de melhoramentos automobilísticos de toda a espécie: túneis directos às suas caves de estacionamento, passagens aéreas pedonais para levar e trazer clientes entre as duas margens das vias rápidas, ramais paralelos, às vezes inteiras faixas novas com que põem a cidade ao seu serviço, fingindo beneficiá-la.

Os ditos «shoppings», depois de se posicionarem onde os compradores possam rapidamente chegar de carro para confortavelmente transportarem, eles próprios, o sem-número de inutilidades a que não saberão resistir, tentam estabelecer, depois, no seu interior, uma falsa e pouco contrastada imitação de uma «cidade-ideal».

A «cidade-ideal», para os cérebros inventores destas «máquinas de consumo», cuja imaginação não vai mais longe do que um passeio à Disneylândia ou aos parques temáticos dos arredores de Barcelona, é uma cidade já só de peões (primeira contradição), com corredores a fazerem de ruas, à volta dos quais se posicionam as lojas da globalização, por dentro de um enorme contentor ou barracão mais ou menos «festivo», de clima condicionado e permanentemente vigiado.

É o que Paul Goldberger (num artigo de 1996, intitulado «The Rise of the Private City») chama «ambientes urbanóides»: ambientes controlados, fechados e fortemente privados que pretendem fazer passar-se por espaços públicos. A cidade verdadeira, o verdadeiro «espaço público», é um território de grande liberdade e de imprevisto, de alguma dureza às vezes, de contrastes (de clima e de cheiros), de confrontos entre raças e classes, géneros e idades.

A cidade do consumo não. O «shopping» começa por controlar as entradas e expulsar os indesejáveis. Jamais veremos, num centro comercial, grupos de garotos pretos ranhosos em correrias, por exemplo, ou ciganas a vender atoalhados, um carrinho de castanhas a sério, os gritos dos feirantes. O sol que entra pelas clarabóias pouco nos aquece, não bafejamos o ar frio em frente no Inverno, não fugimos à chuva em busca de um café. Não fotografaremos nunca alguma coisa que nos agrade (primeiro, porque nada nos agradará e, depois, porque são proibidas (!) as fotografias num «centro comercial»).

A própria alegria é formatada, entre os filmes americanos a cheirar a pipocas e as tecnológicas «máquinas de diversão» de inspiração belicista, entre os brinquedos convencionados («barbies» e consolas) e as sucessivas invenções dos vendedores, sem nenhuma espécie de ligação ao conjunto das festividades mais ou menos tradicionais (Dias dos Pais e das Mães, de São Valentim, de Bruxas e Halloweens, de Reis).

A cidade do consumo é também higiénica: batalhões de limpeza mantém irrepreensíveis os mármores em mosaicos dos seus pavimentos, os vidros transparentes das suas montras. Lá dentro, o tempo não passa; não se envelhece, não se adoece, não se espirra, não se cresce, não subsistem crises. Vigiados, protegidos, afastados dos pobres, dos drogados e dos delinquentes, poderemos viver o sonho de sermos ricos, de consumirmos, de sermos materialmente muito felizes. A «cidade dentro da cidade», os seus vigilantes, as suas câmaras tomam conta de nós.

As feiras ao ar livre talvez sejam os respeitáveis antepassados das zonas comerciais urbanas. Por muita ideia higienista que a burocracia de Bruxelas invente, penso que não se conseguirá impedir a continuação das feiras, a alegria das feiras, a balbúrdia, o movimento, a urbanidade dos espaços abertos percorridos por gente que vê, compra, dialoga, ri, apalpa, mexe, regateia, grita ou apenas se diverte. Na chamada Europa, na civilizada Alemanha ou na educada França, as feiras subsistem, têm uma enorme tradição e continuam, regulares, abastecedoras, orgulhosamente pujantes, ocupando as praças centrais ou secundárias em vários dias da semana, usando a cidade e pondo os seus habitantes a usá-la.

Mas Lisboa e Porto, por exemplo, não têm, nem (muitas) feiras, nas suas praças abertas, nem tão-pouco zonas luxuosas de comércio sólido, elegante, caro, em outras ruas deliciosas, momentos rápidos, olhando as montras, enquanto seguimos à procura do velho quiosque dos jornais. É só aquele comércio foleiro das lojas espanholas, dos «franchisings» de vestuário e alimentação, é só um progresso de anunciante de telemóvel, discussões estéreis sobre «topos de gama», performances de som ou «home cinema», as vantagens das marcas, um qualquer automóvel ou electrodoméstico. Portugal tem dos climas provavelmente mais estáveis e amenos de quantos existem nesta parte do mundo. E no entanto a paixão pelos sítios fechados, de ar climatizado e reciclado, parece ser enorme. Que «dopping» é este? Que vazio é este? Que modos são estes de passar os dias, as tardes, entre o cheiro a creolina dos corredores das casas de banho e os fritos das «praças da alimentação»? Que graça poderá ter um continuado «hamburguer» ao balcão, ao lado da rapariguinha que bebe o café comentando realidades de cabeleireira, face a uma sopa fumegante num tasco «real» e barulhento atrás da Feira da Ladra?

Uma cidade potente tem de tudo, oferece de tudo, experimenta tudo. Quem por enquanto só gostar de «shoppings» de periferia, por lá arrastará os «piercings» em busca de namorada nesse simulacros de espaço público, nessa tristeza sonâmbula de tardes de domingo em bichas na auto-estrada.

Mas existem outras coisas. Existem ruas (centros) comerciais a sério, com céu verdadeiro, com ar verdadeiro, com chuva ou neve verdadeira. E existem tendas e becos e mercados e explosões de fogo-de-artifício e vendedores ambulantes e produtos frescos e flores ou roupa directamente da fábrica, com defeito. E eléctricos e barcos e carros e passeios e árvores e escadarias a unir isto tudo.

A cidade é complexa, multifuncional, colorida, vária, arriscada, surpreendente. A imitação comercial, que tanto fascina a classe média, é só um sufoco «seguro»."

"as coisas no lugar certo"


Lisboa mais parece a América Latina inundada de tanta publicidade em "outdoors" que apenas polui a paisagem.

Um exemplo vivo disso é a vista de quem está na rotunda do Marquês para quem olha o Parque Eduardo VII, que tem uma barreira contínua de tanta publicidade em estacas, evitando assim que se aprecie a bonita vista do jardim.

Este anúncio da Câmara Municipal de Lisboa atreve-se a colocar numa das praças emblemáticas da cidade, no Camões, um anúncio que na caixa verde diz "as coisas no lugar certo"... é preciso não ter a noção.

Janeiro 17, 2005

"confiança" de um viajante


Miguel Torga morreu há dez anos.
deixo assim a "confiança" como testemunho de um viajante:

o que é bonito neste mundo, e anima,
é ver que na vindima
de cada sonho
fica a cepa a sonhar outra aventura...
e que a doçura
que se não prova
se transfigura
numa doçura
muito mais pura
e muito mais nova...

tudo é para sempre


por Portugal, os Donna Maria são uma projecto com alma.

com registos electrónicos e contemporâneos, não dispensaram instrumentos tradicionais como a guitarra portuguesa e o acordeão.

o álbum tem a participação de duetos com Paulo de Carvalho, Vitorino ( "Lado A Lado", uma versão de um clássico popularizado por Tony de Matos), Pedro Luís e a Parede, Letícia Vasconcelos. conta ainda com a colaboração de Ciro Cruz (baixista de Gabriel O Pensador), Paulinho Moska (um dos mais conceituados compositores brasileiros, honrou os Donna Maria com uma belíssima canção) e Gil do Carmo (na declamação do poema que encerra o álbum).

um diamante em bruto.

Janeiro 12, 2005

Portugal é feito de almas


falou e disse.

Portugal é feito de almas portuguesas e não... a culpa não é do governo...venham rosas ou laranjas, teremos sempre um papel a cumprir.

"Portugal, é tempo de te deixares de choradeiras, não achas? Esta conversa de crise, de futuro comprometido, do fim do Estado-Providência, já começa a enjoar. Já chega de lamentações patéticas, intercaladas por balofas exuberâncias. Está na altura, meu caro Portugal, de deixares de ter pena de ti mesmo, de largares o sofá da conversa, arregaçares as mangas e enfrentares a vida como ela é. As crises são para os homens.

Ninguém tem paciência para te aturar mais chorinquice. Aliás, tens de reconhecer, esta crise até nem foi nada de extraordinário. Não se justifica tanta lamúria. Confessa que ela foi mais uma ressaca que uma verdadeira depressão. Apanhaste um pifo de euforia e dívida, e agora dói-te a cabeça e tens de pagar os estragos.

Emborcaste grades de subsídios, apoios, benefícios, incentivos, sem reparar que é com o teu dinheiro que te dão isso. Gastaste anos com parvoíces, como o aborto e a regionalização; deitaste-te tarde a ver a ficção dos reality shows.

Depois admiras-te que os parceiros te passem à frente e não tenhas produtividade. Acreditaste nos que te falavam em reduções de horário de trabalho e salários europeus, sem ver que esses países os têm porque trabalham muito para o conseguir. Quiseste fazer estádios e andar nas ruas a abanar bandeirinhas.

Agora acordaste. Choras com a crise e temes pelo fim do desenvolvimento. Assustas-te com os chineses e pões luto pelos têxteis. Temes perante a globalização e desanimas com o atraso na convergência. Sentes-te desorientado e perdido.

É incrível como acreditaste mesmo a sério nos muitos que te diziam que tinhas direito a tudo, sem nunca te falarem nos deveres ou explicarem como se pagaria. Nem sequer suspeitaste quando os viste a espreitar para a tua carteira. Caíste que nem um pato na maior das ilusões, o Orçamento do Estado, que dá tudo a todos, desde que todos lhe dêem antes. Comeste um grande almoço e ficaste surpreendido com a conta.

Não sei se já te disseram, mas não há almoços grátis!

É incrível como voltas a dar ouvidos aos mesmos que agora te dizem que não tens capacidade de trabalho e espírito empresarial, que não suportas horários nem respeitas a disciplina. Então recomeça a choradeira, dos analistas de café à reportagem de jornal.

É incrível como voltas sempre às desculpas estafadas. O Governo é mau? Olha que novidade! Mas desde o D. Fernando são todos maus. E os poucos que foram bons, nunca o reconheceste; limitaste-te a ter saudades, depois de dizeres todo o mal que podias durante seu mandato.

Os tempos estão difíceis? Olha que espanto! Desde o Noé que não são fáceis. São os homens que fazem os tempos, sem esperarem por ajudas. A vida é dura? Vê lá a grande surpresa!

Deixa-te de mariquices e toca a andar! Está na hora de esqueceres as desculpas e demonstrares aos que falam que sabes fazer coisas úteis. Não esperes previsões favoráveis. Não contes com estratégias e políticas salvadoras. Está na altura de trabalhar e lançar projectos, poupar e investir, encontrar clientes e fazer bons produtos para lhes vender. Fazer aqui e agora, onde há oportunidades. Como puderes, como souberes. FAZ! Como sempre soubeste fazer.

Não por ti, meu caro Portugal, mas pelos portugueses. E deixa dar-te uma novidade não há cá mais ninguém. Só tu, Portugal, podes fazer o desenvolvimento português. Mais ninguém. Os outros falam. Tu ainda cá andarás depois de eles se calarem."

artigo da autoria de João César das Neves

Janeiro 11, 2005

a biblioteca que veio do lixo


os funcionários dos serviços de lixo da região da Beira Baixa lembraram-se de separar os livros que são deitados pelas pessoas para os contentores de eco-pontos para papel e com esses livros fizeram uma biblioteca já com mais de 200 volumes, onde se contam o grande Camões, as farpas do Ramalho Ortigão, as viagens na minha terra do Garrett, as coisitas do Paulo Coelho, as páginas em busca do tempo perdido do Marcel Proust e muitos outros, entre os quais uma obra rara e muito valiosa, de 1854, uma tradução do maravilhoso poeta latino Virgílio.Ora bem, coisa mesmo maravilhosa é esta: uma biblioteca feita de livros que foram mandados para o lixo. Em vez de irem ter ao estrume do mundo e assim se perderem para sempre, esses livros continuam vivos e ainda prontos a transmitirem humanidade.
Carlos Oliveira Santos in DNa - 7 de Janeiro 2005

Janeiro 10, 2005

regresso


de volta à minha cidade de brincar.

os gansos ainda nadam
e o sol
trouxe-o comigo.

Janeiro 06, 2005

o dia de reis


somos sempre seres guiados por estrelas.
estrelas humanas que connosco percorrem também o caminho.

a imagem contempla o cenário idílico da vila de Sintra.

Dezembro 31, 2004

apaga-se a luz do ano


apaga-se a luz do ano.
com o desejo de um 2005 mais cívico, mais ousado e mais firme.
bom ano a todos os viajantes deste mundo.

Dezembro 27, 2004

tsunami


pelas vítimas do tsunami, apenas o silêncio.
a recolha de todas as dúvidas sobre a existência divina e humana.
somos uma migalha no universo.
deixo a homenagem.

Dezembro 24, 2004

Natal


com um pequeno gesto os poetas soltam o seu pólen que, levado pelas palavras, vai eternamente fecundando os arcos da beleza que erguem o universo e o põem em comunicação com Deus.

Manuel Hermínio Monteiro, Rosa do Mundo

a imagem é de uma árvore iluminada e foi tirada no Castelo de São Jorge, lugar onde a esperança é sempre rasgada pelo horizonte.

Dezembro 15, 2004

coisas tão felizes


entre amigo e amigo
jamais se afastam
coisas tão felizes
os instantâneos silêncios de certas formas
os protestos inocentes à nossa passagem
a natureza fortuita, dizia eu
imortal, dizias tu do vento?

Baldios, José Tolentino Mendonça

Dezembro 10, 2004

antes que tu tivesses palavras


no teu amor por mim
há uma rua que começa
nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
invento-te e o céu azula-se sobre
esta (...) condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
e eu chego e sento-me
ao lado da primavera

Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates

Dezembro 08, 2004

desfocada por um momento


depois de aterrar na minha terra branca depressa senti o desafio de a voltar abraçar como da última vez. sempre que a reencontro trago na alma esse rasgão de esperança e de sonho que me transporta ainda ao tão desejado império.

mas desta vez a maturidade calvinista entregou à minha realidade uma verdade que até hoje nunca tinha sentido.
a verdade de um país.

senti-me num precipício do que sou e onde quero estar, que por breves instantes me fez recordar as palavras de Ruy Belo “ o meu único país é onde estou bem” e que me fez deslizar entre a minha convicção de ternura e um novo desespero.

há décadas e décadas que se escrevem repetem os pareceres sobre a nossa Pátria e a única conclusão que a que chego sobre esse País que amo é que os Portugueses não O merecem.

por isso lusitanos não culpem o governo. Portugal não é feito de governos laranjas ou rosas, mas sim de Portugueses, de pessoas que acreditam, de vontade, de emprenho. construamos o nosso Portugal como um lugar sublime, convidativo a todos os que por lá passam.

sim estive desfocada por um momento.
mas continuarei a caminhar sobre um país lindo que precisa ainda de ser mais amado.

Novembro 25, 2004

Lisboa, a mulher e a mascara


é sempre rasgado o sentimento que descubro quando reencontro esta cidade - Lisboa.quando deixo para trás a mulher de feições de boneca, de longos cabelos loiros e olhos claros que baloiçam num jardim de perfeição… mas sem muita sensualidade, sinto a diferença.

por quatro meses não abraçava esta mulher misteriosa que ouso imaginar sempre como um sorriso idílico de tanta beleza. talvez a grande saudade que habita em mim e a vontade de a rever fazem dela a última das minhas amantes europeias.

Lisboa essa mulher de curvas sensuais e de silhueta invulgar, com pele de seda e perfume de cor branca. as meias altas de veludo alternativo, rasgada pelos sapatos de salto alto de verniz escuro retocados de marcador preto devido aos rasgões feitos pela mais bonita das calçadas.

sinto-a como um sonho e reencontro-a como uma mulher da vida. bonita e mística sonha um dia ser resgatada por alguém que a abrace para sempre. tem todo o charme para ser a grande senhora, mas os homens que abusam dela esborratam-lhe o baton vermelho pela cara, tonando-a por vezes vulgar. mas ela é única entre as amantes e por isso vai submergindo a tudo, forte e determinada, sensível e ousada, ela é aquela por quem todos os homens guardam uma paixão compulsiva.

deixo como testemunho uma imagem do artista plástico António Trindade da exposição a Mulher e a Mascara que representa bem o que Lisboa me segredou ontem ao ouvido. ela sofre e deseja ser amada. ainda mais amada.

Novembro 19, 2004

onde perdeste o sonho



no tempo onde habita a minha e tua morada
uma ousadia é imaginar um sonho
e lembro-me de quando os trazias
misturados com os rebuçados de cores vivas
na algibeira dos teus calções gastos
de imensa pertinácia

não quero perder o mais precioso dos dias
hoje

Novembro 07, 2004

a nossa língua


sinto que a pressa com que se vive a vida nos tempos que correm e a fusão com as novas tecnologias começam a ferir a nossa língua portuguesa. Expressões usadas nos sms' s e no msn como "keres", e outras de rápida escrita andam a substituir a verdadeira língua portuguesa... afinal "querem" perder o que de mais valioso tem um povo?

Outubro 22, 2004

encontro


momento em que nos encontramos.
sentimos de perto "o poeta que está sentado na Holanda" e iniciamos o voo livre de quem habita a morada longínqua

Outubro 06, 2004

a última morada


a tristeza bate sobre o meu ombro quando vejo que Portugal ainda desperdiça o tão rico património cultural e literário deixado pelos nossos escritores.escuto um fragmento de “Magriço e os doze de Inglaterra” de Garrett,“e assim foi que, atentando mais de perto,vi tanta asneira, vi tanta sandice (...) quero rir com Diógenes, com eleno cínico tonel entrincheirar-mecontra as sandices deste parvo mundo.”
a casa onde viveu e morreu Almeida Garrett em 1854 em Santa Isabel viu recentemente aprovado o projecto que prevê a sua demolição: um atentado cultural a uma bonita fachada de azulejos numa rua que mantém algum charme.

Setembro 29, 2004

os livros de Outubro

Mercado da Ribeira e Rua da Anchieta esperam receber milhares de visitantes

Lisboa volta uma vez mais a acolher duas iniciativas que irão reunir
milhares de livros para venda a preços de ocasião. "Livros no Chiado" e"Festa dos Saldos - Grande Mercado do Livro" são os dois eventos que entre o final de Setembro e o mês de Outubro farão as delícias dos aficcionados pelas letras.

A partir de hoje quem passar pela Rua Anchieta (perpendicular à Rua Garrett), no Chiado, poderá apreciar centenas de livros a baixo preço distribuídos pelos toldos colocados ao longo da via pública, cada um uma secção temática. "Livros no Chiado" é uma iniciativa da Livraria Bertrand que estará a funcionar todos os dias entre as 9h e as 24h até 5 de Outubro.

Os descontos que podem "atingir os 80 por cento" e que incidem sobretudo sobre os "livros habitualmente mais dispendiosos" são o aliciante de uma iniciativa que vai na décima edição, e que espera alcançar este ano "vendas superiores a 70.000 livros".

A edição de 2004 contará com a presença de alguns escritores portugueses, que participarão em sessões de autógrafos, e ainda com actividades culturais. A Bertrand procura desta forma "dar ao cliente uma boa oferta em termos de qualidade - preço e contribuir para fortalecer os hábitos de leitura dos portugueses", diz Luís Rodrigues, responsável pelo livraria do Chiado.

Na zona do Cais do Sodré, começa amanhã outra venda de livros a preço de saldo. A "Festa dos Saldos - Grande Mercado do Livro", no Mercado da Ribeira, ocorre pela sétima vez, estando aberta todos os dias entre as 10h e as 20h até 17 de Outubro. São cerca de 700 metros quadrados de publicações de mais de uma centena de editoras nacionais e internacionais, alfarrabistas e livreiros, juntos num espaço cedido pela autarquia a pedido da Empresa de Comércio Livreiro (ECL), promotora do evento.

O objectivo da iniciativa refere José António Tavares, director da ECL, é "colocar à disposição do público livros, em alguns casos grandes sucessos de venda, que já se encontram no término da edição, a valores relativamente baixos." Os preços dos livros podem ir de um a € 50 e na última semana do evento decorrerão encontros com escritores e debates. R.H. Topo de Página

Público, 29 de Setembro 2004

Julho 29, 2004

Bairro Alto Outlet



Nas últimas sextas-feiras e sábados dos meses de Julho, Agosto e Setembro, entre as 17h00 e as 24h00, junta-se o melhor da moda e do design do Bairro Alto no Jardim de São Pedro de Alcântara, a que se associa a música, o flower e food design, a ilustração e a fotografia. Uma mostra do talento dos novos criadores e das últimas tendências. Dias 30 e 31 de Julho, 27 e 28 de Agosto e 24 e 25 de Setembro.

O mercado Outlet está decididamente na moda. A compra de peças de marca a preços acessíveis tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos, multiplicando-se as iniciativas e os espaços de venda. Foi a pensar nesse público, bem como na promoção das lojas e criadores sedeados no Bairro Alto, que a Câmara Municipal de Lisboa, através da Unidade de Projecto do Bairro Alto e Bica, em associação com a agência de talentos criativos Who, lançou, o ano passado, a BA Outlet - Feira de Moda & Design.

O sucesso da iniciativa fez com que surgisse a segunda edição que arrancou no passado mês de Julho, mantendo-se até Setembro. Realiza-se no último fim-de-semana de cada mês (sexta-feira e sábado), entre as 17h00 e as 24h00 no Jardim de S. Pedro de Alcântara.

Tendo como pano de fundo a vista magnífica do miradouro (que só por si vale a deslocação), o que se pode encontrar no BA Outlet é uma mostra do talento dos novos criadores e das últimas tendências. À moda e design juntam-se, num ambiente descontraído e informal, a música, a ilustração, a fotografia, o flower e o food design. Roupas, sapatos, objectos, peças vintage, mobiliário, flores, discos (cd ou vinil) são algumas das coisas que se podem adquirir, ao som da música de V records DJ team, acompanhada pelas imagens captadas no Bairro e projectadas pelo VJ 15.

Fica então o convite para um fim de tarde diferente. Com um chá gelado, que o tempo pede, visite, entre outros, os stands dos criadores Lena Aires, Annete, João Tomé/Francisco Pontes, Aleksandar Protich e Filipe Faísca, da Agência 117 (roupa e calçado vintage), Les Enfants d‘ailleurs (étnico vintage), Pop in e Portáctil (objectos vintage) Maomao Shop, (casual wear), Ilha do Bairro (moda colorida), Kalula (nature sport), Nosso Design (design português), Em Nome da Rosa (flower design), Poufmamma, Yuki (design poufs) e Side (living room).

Lisboa
Jardim e Miradouro de São Pedro de Alcântara
R. São Pedro de Alcântara
De 30-07-2004 a 31-07-2004
Sexta e sábado das 17h00 às 00h00

Julho 10, 2004

criar-te ou criarte?

criar-te é a missão da criarte